Governo lança portaria com a lista dos setores mais afetados pela pandemia

A relação do governo aponta 34 segmentos como serviços de alimentação e educação privada

O Ministério da Economia publicou nesta segunda-feira (14), uma Portaria que lista os setores da economia mais impactados pela pandemia após a decretação da calamidade pública decorrente do Covid-19. Essa lista é destinada a orientar as agências financeiras oficiais de fomento, inclusive setoriais e regionais, acerca dos setores mais impactados pela crise ocasionada pelo Covid-19.

Os setores são:

I – atividades artísticas, criativas e de espetáculos (CNAEs 90 91 92 93);

II – transporte aéreo (CNAE 51);

III – transporte ferroviário e metroferroviário de passageiros (CNAE 4912-4);

IV – transporte interestadual e intermunicipal de passageiros (CNAE 4922 -1);

V – transporte público urbano (CNAE 4922-1);

VI – serviços de alojamento (CNAE 55);

VII – serviços de alimentação (CNAE 56);

VIII – fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (CNAE 29);

IX – fabricação de calçados e de artefatos de couro (CNAE 15);

X – comércio de veículos, peças e motocicletas (CNAE 45);

XI – tecidos, artigos de armarinho, vestuário e calçados (CNAEs 4781, 4782 e 4755);

XII – edição e edição integrada à impressão (CNAE 58);

XIII – combustíveis e lubrificantes (CNAE 473);

XIV – fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (CNAE 30);

XV – extração de petróleo e gás, inclusive as atividades de apoio (CNAEs 06 e 09);

XVI – confecção de artefatos do vestuário e acessórios (CNAE 14);

XVII – comércio de artigos usados (CNAE 4785);

XVIII – energia elétrica, gás natural e outras utilidades (CNAE 35);

XIX – fabricação de produtos têxteis (CNAE 13);

XX – educação privada (CNAE 85*);

XXI – organizações associativas e outros serviços pessoais (CNAE 94, 95 e 96);

XXII – fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (CNAE 19);

XXIII – impressão e reprodução de gravações (CNAE 18);

XXIV – telecomunicações (CNAE 61);

XXV – aluguéis não-imobiliários e gestão de ativos de propriedade intelectual 77;

XXVI – metalurgia (CNAE 24);

XXVII – transporte de cargas (exceto ferrovias) (CNAE 493);

XXVIII – fabricação de produtos de borracha e de material plástico (CNAE 22);

XXIX – fabricação de máquinas e equipamentos, instalações e manutenções (CNAE 28);

XXX – atividades de televisão, rádio, cinema e gravação/edição de som e imagem (CNAE 59 e 60);

XXXI – saúde privada (CNAE 86*, 87* e 88);

XXXII – fabricação de celulose, papel e produtos de papel (CNAE 17);

XXXIII – fabricação de móveis e de produtos de indústrias diversas (CNAE 31 e 32); e

XXXIV – comércio de outros produtos em lojas especializadas (CNAE 474, 475, 476, 477, 4783, 4784 e 4789).

Fonte: www.agenciasebrae.com.br

Levantamento do Sebrae confirma a necessidade da ampliação do acesso a crédito para pequenos negócio

Na contramão do aumento da procura por recursos no 1º semestre do ano, devido à pandemia, a quantidade de pequenos negócios tomadores de empréstimos se manteve praticamente a mesma

Levantamento do Sebrae, realizado a partir de dados do Banco Central, mostra que apesar das medidas adotadas pelo governo para ampliar o acesso a crédito no país, houve uma redução no número de operações realizadas por empresas de todos os portes. Durante o 2º trimestre de 2020 (considerado o período mais crítico desde o início da pandemia), essa queda foi de 12% (em relação ao 1º trimestre de 2020). Em contraposição, os dados do BC mostram que houve uma expansão de 15% no volume de crédito concedido (na comparação entre os dois trimestres de 2020). A explicação para essa realidade – redução do número de operações X aumento do valor concedido – está no fato de que a maior parte do recurso novo acabou sendo destinado a uma base seleta de clientes, com empréstimos de maiores valores.

Nesse contexto, o levantamento realizado pelos economistas do Sebrae, Giovanni Beviláqua e Marco Bede, mostra que – entre janeiro e junho de 2020 – a quantidade de microempresas e empresas de pequeno porte tomadoras de empréstimos se manteve praticamente a mesma (em torno de 5 milhões de pequenos negócios). Isso se deu na contramão do significativo crescimento da procura por crédito provocado pela crise gerada na pandemia. Pesquisa feita pelo Sebrae junto aos donos de MPE revelou que entre a 1º semana de abril e a última semana de julho, o percentual de pequenos negócios que havia buscado empréstimos passou de 30% para 54%.

Esse comportamento do sistema financeiro confirma uma tendência de longa data. Desde 2012, os dados mostram que somente cerca de 20% de todo o crédito concedido para empresas no país vão para os pequenos negócios. Os dados confirmam também que as instituições financeiras mantêm inalterados os seus procedimentos de avaliação de risco e seleção de clientes.

Segundo o presidente do Sebrae, Carlos Melles, o grande desafio que o país enfrenta é o de ampliar o número de pequenos negócios com acesso a crédito. “As pesquisas do Sebrae mostram que a maior parte das empresas já voltou a operar. Mas para recuperarem o equilíbrio, será fundamental garantir os recursos necessários para investimentos ou para a recomposição do fluxo de caixa”, ressalta Melles. A dificuldade de acesso a crédito por parte de pequenos negócios ficou mais evidente durante a pandemia, principalmente para aqueles empresários que não tinham um histórico de relacionamento e crédito pré-aprovado antes da crise para realizarem novas operações ou renovarem as existentes.

Instituições não-bancárias ganham destaque
Mesmo os grandes bancos comerciais sendo os mais procurados quando o assunto é empréstimo, as maiores taxas de aprovação de crédito para os pequenos negócios vêm de outras instituições financeiras, como cooperativas de crédito, bancos regionais, agências de fomento, fintechs, entre outras.

“Apesar da grande importância das micro e pequenas empresas para o desenvolvimento da economia do país, ao responderem por 99% de todas as empresas brasileiras e participarem em quase 30% do PIB, isso não se reflete no mercado financeiro de crédito. Por isso, o aumento da participação destas instituições não bancárias foi tão importante para que os pequenos negócios pudessem ter acesso a crédito, principalmente no período mais grave da pandemia”, ressalta o presidente do Sebrae.

Comportamento do crédito no Brasil
Do total de R$ 796,1 bilhões concedidos para empresas durante o 1º semestre do ano de 2020, R$ 160 bilhões foram concedidos para os pequenos negócios (20%). Para as microempresas, houve um aumento de 12,7% do volume de crédito concedido entre o 1º e 2º trimestre, além de aumentos de 21,9% e 17,6% para as empresas de pequeno porte e MEI, respectivamente.

Fonte:www.agenciasebrae.com.br

Sociedades Garantidoras de Crédito ajudam pequenos negócios a manter as portas abertas

Somente no ano de 2020, incluindo o período da pandemia, aproximadamente 4.500 pequenos negócios foram atendidos pelas Sociedade de Garantia de Crédito (SGC), iniciativa apoiada pelo Sebrae, que fornece garantias para a obtenção de crédito junto a Instituições Financeiras conveniadas.

Sem alternativa para contornar a crise ocasionada pelo novo coronavírus, o empresário Maurício Chagas Calassa, proprietário da Sensassom Áudio System, de Guarapuava, na região Centro do Paraná, recebeu aval da Sociedade Garantidora de Crédito (SGC), o qual é associado, para obter crédito junto a uma instituição financeira cooperativa e contou ainda com a indicação das melhores condições de taxas de juros e prazo de pagamento, incluindo carência. Com todos os eventos cancelados em função da pandemia, o empresário, que atua há 34 anos no ramo de eventos, viu seu faturamento despencar.

Gerador de 12 empregos, entre diretos e indiretos, Calassa afirma que, antes da pandemia, realizava em torno de 25 eventos por mês. “O crédito bancário veio como um fôlego até que tudo volte dentro do novo normal, o que deve ocorrer a partir de novembro”, projeta. Segundo ele, o processo para a obtenção de crédito foi ágil graças ao papel de sua SGC, que concedeu as garantias necessárias e auxiliou na tomada de decisões. “É um recurso financiado pela Instituição financeira garantida pela SGC que está ajudando a manter minha empresa viva”, frisa.

O empresário está entre os 4.500 empreendedores apoiados pelas SGC neste ano. O sistema funciona como uma associação entre empresários, contando com o apoio do Sebrae, instituições financeiras e entidades públicas, com o objetivo de fornecer garantias (aval, fianças) para a obtenção de crédito. “Em linhas gerais, as SGC ajudam no acesso ao crédito, ofertam garantias, assessoram a pequena empresa durante o processo de busca de financiamento em melhores condições em termos de taxas e prazos de pagamentos. A Sociedade tem uma particularidade que é o olho no olho, conhecer a história de cada empreendedor, o atendimento personalizado e, principalmente, orientar os empresários na busca pelo crédito saudável e acompanhá-los até o final do processo”, afirma o presidente do Sebrae, Carlos Melles.

Em Maringá, na região Noroeste, a empresária Simone Daiane Rosas, proprietária do Tacoss Cozinha Mexicana, conta que, com a pandemia, precisou dispensar seis dos 12 funcionários. Para isso, utilizou parte do capital de giro da empresa. Com o objetivo de não recorrer à utilização do limite da conta no banco, a empreendedora buscou a assessoria da SGC para contornar a situação e ganhar fôlego com a despesas.

“Reabrimos há três semanas o restaurante para o atendimento presencial. Mesmo assim, tivemos uma redução no fluxo de clientes de aproximadamente 90% durante a semana e de 70% nos fins de semana. Em compensação houve um incremento no delivery, que nos dá um retorno menor do que o presencial, mas que ajuda a manter o negócio”, diz.

O empresário Júnior André Destefeni, proprietário da Refrigeração Fique Frio, em Toledo, no Oeste do Paraná, que já era associado a SGC antes mesmo da pandemia, buscou novamente auxílio para obter crédito junto a uma Instituição Financeira parceira visando minimizar os impactos da crise. A primeira medida adotada na empresa, fundada há 28 anos, foi o corte de despesas, com o objetivo de manter os 12 postos de trabalho. Posteriormente, houve a necessidade de buscar crédito. Aproximadamente 30% do recurso obtido, segundo ele, será utilizado para capital de giro da empresa e o restante para futuro investimentos. “Com o cenário incerto, ainda não tenho definido no que vou investir, mas acredito que já tivemos outros períodos instáveis economicamente e politicamente no país. É preciso se reinventar, ter um mix de produtos e serviços e estar presente nas mídias digitais”, reforça.

No Brasil existem 14 SGC em operação que juntas já concederam garantias de crédito há mais de 17 mil pequenos negócios, representando o volume de R$ 522 milhões em garantias e R$ 732 milhões em crédito concedido junto a Instituições Financeiras conveniadas. O Sebrae é parceiro das SGC por meio da disponibilização de recursos para a formação de Fundo de Risco Local (FRL), os quais juntamente com recursos de parceiros e da própria SGC, possibilitam o apoio a pequenas empresas formalizadas na concessão de garantias de crédito para os pequenos negócios.

Fonte:www.agenciasebrae.com.br